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Conversas vazadas mostram que Moro orientou investigações da Lava Jato;

Publicado dia 10/06/2019 às 11h23min
Segundo o MPF, não se sabe o tamanho do vazamento por meio dos hackers, mas os procuradores confirmam que as conversas publicas são autênticas.

A Lava Jato divulgou uma nota onde confirma ter sido hackeada. O comunicado, publicado na noite deste domingo (9), explica que as mensagens trocadas pelo Sergio Moro e Deltan Dallagnol, atual coordenador da força-tarefa, publicadas pelo site Intercept, são frutos de uma atividade criminosa. O teor das conversas indica que o ministro, na época juiz federal, conduziu as investigações.

Moro sugeriu trocas de fases da Lava Jato e deu dicas informais a Dallagnol por mensagens do aplicativo Telegram. Os arquivos trazem históricos entre 2015 e 2017.

Segundo o Ministério Público Federal, não se sabe o tamanho do vazamento por meio dos hackers, mas os procuradores confirmaram que as conversas publicas são autênticos.

A Constituição de 1988 estipula que o juiz não pode ter vínculos com as partes do processo judicial. Com a parte acusadora, neste caso o MP, não deve haver troca de informações ou atuação fora das audiências.

Segundo o The Intercept Brasil, eles receberam as conversas de uma fonte anônima e possuem cerca de 1700 arquivos. O conteúdo teria chegado semanas antes da notícia sobre o hack no celular do Ministro da Justiça

As mensagens de Moro

Em uma das mensagens, em 21 de fevereiro de 2016, Moro sugeriu a Dallagnol que fosse invertida a ordem de duas operações da Lava Jato. O procurador afirmou que haveria problemas logísticos para que isso acontecesse. No dia seguinte, ocorreu a 23ª fase da Lava Jato, a Operação Acarajé.

Em uma conversa de 27 de fevereiro, Moro teria perguntado a Dallagnol: "O que acha dessas notas malucas do diretório nacional do PT? Deveríamos rebater oficialmente? Ou pela Ajufe [Associação dos Juízes Federais do Brasil]?".

Em meio a manifestações de rua contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, o então juiz declarou o desejo de "limpar o Congresso", depois de ser parabenizado pelo procurador devido "ao imenso apoio público".

Também em comunicado, Sérgio Moro criticou o Intercept por não ter entrado em contato com ele antes da publicação da matéria. A publicação afirmou que não o fez por receio de receber bloqueios judiciais. em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo.

“Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”, escreveu.

Fonte: yahoo.com