Seca no Sertão da Paraíba – Foto: Priscila Tavares/Diário do Sertão
O presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (AESA-PB), Porfírio Loureiro, fez um panorama geral da situação hídrica do estado durante entrevista ao programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão. Segundo ele, a Paraíba inicia a quadra chuvosa de 2026 com os reservatórios em níveis mais baixos do que o desejado, reflexo direto da irregularidade das chuvas em 2025.
De acordo com os dados apresentados, os 139 reservatórios monitorados pela AESA possuem capacidade total para acumular cerca de 4 bilhões de metros cúbicos de água. Atualmente, o volume armazenado é de aproximadamente 1,25 bilhão de m³, o que representa 30% da capacidade total.
“Estamos encerrando o período de estiagem e iniciando a quadra chuvosa, mas o período chuvoso de 2025 não foi tão regular como o de 2024. Não tivemos condições de recarregar satisfatoriamente nossos reservatórios e entramos nessa quadra chuvosa de 2026 com níveis realmente mais baixos”, explicou Porfírio.
Reservatórios colapsados e regiões mais afetadas
O presidente da AESA revelou que alguns reservatórios de pequeno porte já entraram em colapso, situação mais comum justamente entre açudes menores. No entanto, ele chamou atenção para o fato de que reservatórios considerados importantes também secaram. Entre os exemplos, ele citou reservatórios de Taperoá, no Cariri, Desterro, no Sertão, e ainda na Serra de Teixeira.

Transposição garante segurança hídrica
Apesar do cenário desafiador, Porfírio Loureiro destacou o papel fundamental da Transposição do Rio São Francisco para evitar uma crise mais grave no estado.
Ele citou o Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), que atualmente opera com cerca de 39% da capacidade, volume considerado suficiente para garantir o abastecimento do Eixo Leste. Além disso, várias cidades cujos reservatórios colapsaram já estão sendo atendidas com água da transposição, por meio de adutoras operadas pela Cagepa.
Vale do Piancó e medidas preventivas
No Sertão paraibano, especialmente no Vale do Piancó, Porfírio explicou que, em anos anteriores, muitos açudes permaneciam com comportas abertas para liberar água para cuidados com animais e irrigação. Em 2025, no entanto, essa prática precisou ser interrompida mais cedo.
“Tivemos que fechar esses reservatórios ainda no final de outubro e início de novembro, já tentando preservar os volumes existentes”, relatou.
Fonte: Diário do Sertão
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